O BLOG

Uso este espaço para postar alguns temas que gosto: arquitetura, construção, sistemas construtivos, paisagismo, patrimônio cultural, arte, museus/museologia, design, escultura, finanças, fotografia, música, e outras coisinhas..

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Este blog foi elaborado pela arquiteta Marjorie Karoline © 2008-2016

sábado, 18 de setembro de 2010

Arquitetura Chinesa

Hotéis, cinemas, teatros e centros de convenções

Boas idéias
Habita Hotel - México
Ordos Hilton Hotel - China

 Flagship Hotel - Estados Unidos


Audium Theatre - Estados Unidos

 
Village Cinemas - República Tcheca


TERESA GOUVEIA ARQUITETURA - INSTITUTO DA PRÓSTATA


 
Ocupando área de 350m², o antigo velório foi totalmente reformulado, para abrigar o Instituto da próstata, único na América Latina. Com infraestrutura completa, possui quatro consultórios, duas salas de exames, duas salas de procedimentos, um repouso, área administrativa, reunião e recepção e os mais modernos equipamentos médicos do setor. A preocupação com a acessibilidade, foi constante e quatro dos doze banheiros, são acessíveis. 

"É o primeiro Centro da especialidade próstata na América latina. Os exames e o tratamento ainda são tabus para muitos homens e por isso o Instituto foi pensado para garantir privacidade e tornar tudo me-nos desagradável”. Teresa Gouveia

Amil - Unidade Avançada Tatuapé


 Capacidade estimada de quinze mil consultas mensais

 

Flexibilidade dos espaços para permitir a adequação a diferentes utilizações e a modernização das tecnologias

A Unidade Avançada Tatuapé possui sete pavimentos, com uma área total construída de 6.500 m2, localizada na rua Visconde de Itaboraí, 60, entre as ruas Mello Freire e Coronel Antônio Dias, em um corredor de alto fluxo automobilístico de ligação entre as Zonas Leste e Oeste, ao lado do Shopping Tatuapé, um dos maiores de São Paulo e o único no seu porte com acesso direto ao Metrô, Estação Tatuapé.
A unidade conta com pronto socorro com atendimento 24 horas, dez leitos de observação, sala para grandes emergências, exames de tomografia e raio x, com uma capacidade estimada de dez mil atendimentos mensais, serviço de pronto atendimento com trinta consultórios, para diversas especialidades, além de coleta, mamografia, ergometria, ecocardiograma, ultra-som, ginecologia, vulvoscopia, colposcopia, endoscopia, densitometria óssea e pequenos procedimentos com cinco leitos de recuperação, com uma capacidade estimada de quinze mil consultas mensais.

O projeto da unidade previu uma arquitetura de grande sustentabilidade, adotando um processo para redução dos impactos ao meio ambiente, além de um foco específico na utilização racional de água e energia, evitando o desperdício, seguindo as recomendações para a construção de uma unidade ecologicamente correta e com a utilização dos mais elevados padrões de engenharia e os mais modernos sistemas construtivos.

Desenvolvemos um conceito arrojado que estará privilegiando a conveniência dos clientes, e proporcionando condições de qualidade, expansibilidade e funcionalidade ideais para o perfeito funcionamento das atividades da equipe médica, além de prever a flexibilidade dos espaços para permitir a adequação a diferentes utilizações e a modernização das tecnologias.

A decoração será desenvolvida em toda a unidade com a preocupação de humanizar os espaços aliando funcionalidade conforto e harmonia.
Alguns diferenciais executados na construção da unidade

A estrutura, de concreto armado, foi projetada para suportar mais seis pavimentos, de estrutura metálica, para futuras ampliações da unidade. Optou- se, na fase de fundação, por estacas escavadas com Lama Bentonítica, com profundidade média de dezoito metros e diâmetro de 900mm. Tal opção construtiva da estrutura foi de extrema importância, levando-se em consideração as edificações vizinhas, muito próximas do muro de contorno do terreno.

Projeto arquitetônico específico para a fachada, que além do objetivo de transmitir a grandiosidade do empreendimento, possibilita o conforto acústico e térmico, através do sistema de vidros glasing com espessuras específicas para esta finalidade.

Redução do consumo de energia com a possibilidade de utilização da luz natural, através da sua fachada, do Átrio interno, com 36m2 de projeção e com a utilização de iluminação de alto desempenho.

Reaproveitamento da água através de captação de águas pluviais e lençol freático.
EQUIPE TÉCNICA
Responsável pelo Projeto | Amil Projeto
Executivo Responsável | Robson Szigethy
Engenheiros | Edmo Sarago Silva e Marcos Ferreira Lopes
Arquitetos | Eduardo de Sá Fortes Gullino e Fernanda Paula Marques
Decor. de Interiores | Solange Medina e equipe
Créditos: Flex Editora 
 
 
 

Planos Diretores Físicos Hospitalares

Estudo de Conceitos e Métodos de Planos Diretores Físicos Hospitalares
RESUMO

A maior competitividade do mercado de assistência à saúde, o avanço das ciências médicas e as constantes necessidades de incorporação de novas tecnologias e de aprimoramento de instalações físicas têm levado hospitais a buscarem meios de organizar e direcionar suas ações e investimentos.

Contudo, em grande parte dessas estruturas encontram-se situações de obsolescência, improvisação e dificuldade de atualização espacial, causadas, entre outros motivos, pela falta de planejamento da área física. Inserido nesse contexto, o artigo apresenta o plano diretor físico como importante instrumento de direcionamento de ações, com o objetivo de reunir conceitos e informações sobre a elaboração dos mesmos e compreender a atuação do arquiteto nesse processo.

Para tanto, foram entrevistados três arquitetos brasileiros para se estudar conceitos e métodos utilizados na realização de planos diretores hospitalares. Também foi analisado o currículo de cada um dos entrevistados de modo a caracterizar parte da produção dos planos no país. Assim, o artigo faz uma breve reflexão sobre a elaboração de planos diretores para hospitais, parte integrante da dissertação de mestrado na qual o tema é abordado com mais profundidade.

Palavras-chave: arquitetura hospitalar, planejamento hospitalar, plano diretor.

ABSTRACT

The increasing healthcare market competitiveness, the evolution in medical sciences, the constant necessities of new technology incorporation and of improvement in infrastructure have lead hospitals to search for ways of organizing and guiding their actions and investments. However, situations of obsolescence, improvisations and difficulties in updates are found in most of these buildings, caused, among other things, by the lack of area planning. In this context, the paper presents master plans as an important instrument of guiding the actions, with the objective of gathering information about their elaboration and of understandinf the role of the architect in this process. For that, three Brazilian architects were interviewed to enable the study of concepts and methods used during the elaboration of hospital master plans. It was also analyzed the résumé of each one in order to characterize part of the production of plans in the country. Thus, the paper reflects briefly upon the importance of hospital master planning, which is part of the dissertation where the subject is studied in deep.
Keywords: healthcare design, hospital planning, hospital master plan.

INTRODUÇÃO

Alice – Poderia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?

Gato – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir.

Alice – Não me importa muito onde.

Gato – Nesse caso, não importa por qual caminho você vá. (Tancredi, Barrios, Ferreira, 1998, preâmbulo)

O diálogo entre Alice e o Gato do livro ‘Alice no País das Maravilhas’ traduz claramente a essência e a importância do planejamento, pois mostra a grande diferença que há entre o deixar-se levar ao sabor do acaso e o determinar aonde se quer chegar.

Porém, a situação atual brasileira demonstra que até metade do século XX, salvo raras exceções, hospitais foram construídos sem qualquer planejamento, dificultando sua atualização pela falta de condições favoráveis, atingindo a obsolescência física e funcional em muitos casos (MAUDONNET, 1988). Resultado de um crescimento empírico e da pouca utilização de instrumentos de planejamento (KARMAN, 2002), esse cenário agrava-se ainda mais devido a uma série de fatores, tais como: falta de recursos, aumento de demanda, acirrada concorrência de mercado, vertiginosa evolução das ciências médicas e das tecnologias, dentre outros, que contribuem no sentido de intensificar cada vez mais uma característica intrínseca aos hospitais que é sua complexidade programática e, conseqüentemente, projetual.

Para reverter tal situação, o plano diretor apresenta-se como importante ferramenta de organização espacial e de direcionamento de ações a serem tomadas pelas instituições hospitalares, na busca de seu reposicionamento como edificações modernas, flexíveis e aptas a enfrentar esse cenário, ou seja, ele expressa o “compromisso com o futuro” (GOMEZ, 2002). Produto de um processo de planejamento, o plano diretor pode ser abordado sob diferentes perspectivas, sobretudo em estabelecimentos multidisciplinares como os hospitais, sendo no presente trabalho visto sob seu aspecto espacial, ou seja, a do plano diretor físico.

Vários autores (BROSS, 2006; NAGASAWA, 2007; SALGADO, 2005; SILVA, 2006; SILVA, 1999; WALKER, SHEN, 2002) demonstram a importância de estudos direcionado às primeiras etapas do processo de projeto, onde o plano diretor pode ser considerado uma dessas etapas ou não, de acordo com o entendimento de cada um. De uma forma ou de outra, o plano ajuda a garantir a qualidade do processo através da transmissão de informações necessárias às etapas seguintes de projeto e construção, a facilitar o entendimento da complexidade do objeto e a permitir flexibilidade e agilidade durante a execução das obras. A geração desse conhecimento contribui para aumentar as chances de sucesso e reduzir os problemas nos edifícios hospitalares, uma vez que o plano direciona os arranjos físicos a serem projetados.

Assim, o objetivo principal da pesquisa é reunir conceitos e informações sobre a elaboração de planos diretores físicos hospitalares, ao mesmo tempo em que busca compreender a atuação do arquiteto nesse processo e caracterizar parte da produção dos mesmos no país. Isto porque o papel do arquiteto vai além do projeto arquitetônico, pois é necessário ter-se uma visão global da instituição e participar de todas as etapas, inclusive na tomada de decisões (BROSS, 2002). Logo, o plano diretor configura-se como elemento passível de estudo e de pesquisa, pois não é apenas um item do processo de projeto mas, sim, o elo de ligação entre o planejamento estratégico e a arquitetura do empreendimento (SALGADO 2005).

METODOLOGIA DE PESQUISA

Para se alcançar os objetivos da pesquisa foram entrevistados três arquitetos brasileiros, representativos no âmbito da arquitetura e do planejamento hospitalar brasileiro, com o intuito de identificar conceitos e métodos de elaboração de planos diretores hospitalares. O instrumento utilizado para a coleta de dados durante as entrevistas foi um roteiro semi-estruturado que se divide em duas partes: a) o papel do arquiteto no processo de planejamento hospitalar; e b) método de elaboração de plano diretor para hospitais. Os resultados foram analisados qualitativamente, observando-se similaridades e diferenças entre as respostas e os conceitos encontrados na revisão bibliográfica.

Já a caracterização de parte da produção dos planos diretores brasileiros foi realizada a partir da análise do currículo de cada um dos arquitetos entrevistados com o intuito de contribuir para o objetivo principal da pesquisa, mas sem a pretensão de ser um estudo estatístico que traduza toda a realidade do país. Para tanto, foram elaboradas planilhas-resumos da seguinte forma: 1º.) seleção por década dos planos diretores realizados pelos três arquitetos; 2º.) listagem dessas instituições para sua caracterização: público ou privado, privado com ou sem fins lucrativos, geral ou especializado, hospital-escola ou não, estabelecimento existente ou novo; e 3º.) caracterização dos planos diretores através da média de número de leitos e da área final previstos nos mesmos.

RESULTADOS

A partir das entrevistas e da análise dos currículos, foram selecionadas as seguintes informações mais relevantes encontradas na pesquisa, organizadas de acordo com o tema:

a) O Papel do Arquiteto no Processo de Planejamento Hospitalar
Todos os arquitetos entrevistados disseram participar do processo de planejamento hospitalar enquanto consultores e/ou coordenadores do processo. Essa participação do arquiteto é tida como importante pois ajuda a esclarecer quanto ao uso do espaço no sentido de viabilizar o negócio, valorizando a lógica do espaço. Entretanto, ela não tem ocorrido o quanto deveria, pois talvez se tenha perdido o papel desse profissional em discutir primeiro o problema/ o negócio, para só então partir para o desenho.

Para que tal participação ocorra é necessário que o arquiteto busque o conhecimento generalista no foco “hospital”, ou seja, apesar da especialização em arquitetura hospitalar/saúde, deve-se construir um conhecimento diversificado e amplo sobre o tema. Além disso, é importante que o profissional abra mão de seus preconceitos e tenha percepção sensorial para que as informações cheguem até ele, de maneira que possa também compreender o comportamento no ambiente de trabalho, de clientes e demais agentes envolvidos.

Além disso, foi destacado que o arquiteto não deve agir apenas como desenhista de médico e outros profissionais do setor de saúde, pelo contrário, deve ter uma atuação ampliada, de compromisso com a instituição como um todo, e que vai além da atividade de desenho.

b) Método de Plano Diretor para Hospitais
Apesar de não ter sido identificado um método comum de elaboração de planos diretores hospitalares entre os entrevistados, foram encontrados alguns pontos de similaridade principalmente em relação aos princípios que guiam o processo, como a análise do setor e de mercado, e também quanto aos objetivos do plano que são: dar condições de futuro e perenidade à instituição e proporcionar a avaliação contínua.

O plano diretor deve ser lógico e dinâmico, alinhado às necessidades da instituição e com ferramentas de decisão e de atualização que possibilitem a sua manutenção, já que se não for flexível, é abandonado e não sobrevive às intempéries. Aquele plano episódico, estático e segmentado não consegue mais acompanhar a velocidade das mudanças de hoje, por isso precisa ser um documento ágil e acessível para realmente cumprir a sua função e poder ser utilizado no dia a dia do hospital.

c) Análise de Parte da Produção de Planos Diretores no Brasil
Apesar das limitações da pesquisa, é provável que o planos diretores hospitalares tenham surgido no Brasil a partir década de 80, após as décadas marcadas pelo surgimento dos métodos de projeto, ou seja, de procedimentos organizadores do processo criativo na busca por soluções de problemas cada vez mais complexos, a exemplo dos próprios hospitais.

Já na década de 90, o estudo mostra um aumento de quase 50% no número de planos realizados, porém a sua representatividade em relação a outros tipos de trabalho reduz de 18% para 12%, sobretudo em função da ampliação de trabalhos na área de consultoria e administração. No período de 2000 a 2006, essa representatividade parece manter a tendência de redução o que não significa, necessariamente, diminuição do número de planos realizados. Vale destacar também que a análise desse último período é preliminar, uma vez que a década ainda não está completa.

De qualquer maneira, observa-se através das entrevistas uma mudança no conceito de plano diretor nos últimos tempos, entendido como um processo mais dinâmico, preocupado com o mercado e a estratégia empresarial, e com a sua real utilização. Essa situação poderia ser considerada como uma forma de reação a exemplo das críticas feitas aos planos diretores urbanos, pelo seu determinismo físico-territorial e falta de comprometimento com a realidade (NYGAARD, 2005). Talvez os novos conceitos estejam sendo reestruturados e redirecionados para acompanhar as exigências do mundo contemporâneo, o que não tem desvalorizado e aparentemente nem diminuído a produção de planos diretores hospitalares no país.

Em relação à caracterização dos estabelecimentos de saúde no Brasil, a análise mostrou que a maioria das instituições para as quais os planos foram realizados é privada, sem fins lucrativos, com atendimento geral, não é hospitalescola e já existia quando o plano foi feito (Figura 01). A média é de 264 leitos por instituição planejada, com cerca de 28.000,00 m2, o que resulta em 106 m2 por leito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados da pesquisa mostraram que o cenário hospitalar brasileiro justifica a importância da realização de planos diretores para dar condições de futuro aos estabelecimentos de saúde, cuja participação do arquiteto é fundamental para que haja o alinhamento entre a arquitetura e a estratégia do empreendimento, embora não aconteça o quanto deveria.

Vale destacar que a conceituação de ‘plano diretor físico hospitalar’ é um tanto diversificada e até divergente, o que dificulta de certa forma o seu entendimento e, conseqüentemente, a identificação de métodos de elaboração. Mesmo assim, o trabalho contribui ao esclarecer um pouco mais os conceitos e os princípios que guiam a realização dos planos por parte dos arquitetos no país.

Para finalizar, é importante ressaltar que embora os resultados da pesquisa não possam ser considerados como conclusivos, dadas a limitações de abrangência e representatividade, espera-se que o conjunto de informações reunidas contribua para um melhor entendimento e valorização do plano diretor físico, tanto para hospitais quanto para outras tipologias de edifício, destacando o papel do arquiteto nesse processo enquanto propositor de soluções frente a problemas complexos.

AGRADECIMENTOS


Ao Programa da Pós-Graduação da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em especial ao Prof. Dr. Leandro Medrano, orientador da dissertação de Mestrado.

REFERÊNCIAS

BROSS, J. C. A concepção do edifício de saúde alinhada com a estratégia empresarial. In: Congresso Brasileiro da ABDEH, 2., 2006, Rio de Janeiro. Resumo das Palestras. Rio de Janeiro: ABDEH, 2006. p. 22-23. ______. A nova face da arquitetura hospitalar. [jan.-mar.?, 2002].

Entrevistador: L. V. Leal. Revista Finestra. São Paulo, ano 7, n.28, p.60-63, jan./mar. 2002.

GOMEZ, M.. Administração de serviços de saúde. Apostila da disciplina de Gerenciamento Predial de Edifícios de Saúde. Curso de Especialização em Administração de Serviços de Saúde, Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana, Universidade Estadual do Paraná, Londrina, 2002.

KARMAN, J.; FIORENTINI, D. (Colab.) Atualização hospitalar planejada. In: CARVALHO, A. P. A de (Org.). Temas de arquitetura de estabelecimentos assistenciais de saúde. Salvador: Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Arquitetura, 2002. p.87-103.

MAUDONNET, R. B. Administração hospitalar. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1988.

NAGASAWA, Y. Hospital architectural/engineering master planning. Hospital Engineering & Facilities Management 2007: the official publication of the International Federation of Hospital Engineering. London: Touch Briefings, p. 11-13, 2007.

NYGAARD, P. D. Planos diretores de cidades cidades: discutindo sua base doutrinária. Porto Alegre: UFRGS, 2005.

SALGADO, M. S. Gestão do processo do projeto do edifício: uma discussão. In: SANTOS, M. C. de O. (Coord.). Cadernos do PROARQ/UFRJ. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, v. 9, n. 9, dez. 2005. p. 29-42.

SILVA, C. N. Gestão do processo do projeto: análise da metodologia adotada no desenvolvimento de projetos hospitalares. Rio de Janeiro, 2006. 154 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

SILVA, K. P. Hospital, espaço arquitetônico e território. São Paulo, 1999. 244 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

TANCREDI, F. B.; BARRIOS, S. R. L.; FERREIRA, J. H. G. Planejamento em saúde. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. (Série Saúde & Cidadania, v.2).

WALKER, D. H. T.; SHEN, Y. J. Project understanding, planning, flexibility of management action and construction time performance: two Australian case studies. Construction Management and Economics. Abingdon, UK: Taylor & Francis, v. 20, p. 31-44, 2002.
Créditos: Flex Editora 


A Concepção do Edifício de Saúde

E o alinhamento com a Estratégia Empresarial

As dificuldades para uma empresa de atenção médica e hospitalar ocupar um edifício de saúde,estão se tornando a cada momento, mais variadas e complexas, exigindo dos empresários respostas mais precisas para respaldar a viabilidade de seus empreendimentos.

O edifício de saúde, responsável pela maior fatia de investimentos, requer dos consultores e projetistas uma participação e aprofundamento na estratégia da empresa que virá ocupá-lo, não mais partindo de um Programa Físico funcional, mas sim da essência do negócio, utilizando metodologias e ferramentas que, através de modelagens e simulações torne a concepção espacial viável em sua realização e adequada e flexível, às constantes mutações nos processos, que se alteram frente às exigências do mercado e à introdução de novas técnicas e tecnologias.

Partamos do fato que uma empresa de cuidados médico-hospitalares venha fazer construir e equipar um edifício concebido para acolher os serviços que se dispôs oferecer ao mercado. Portanto, a configuração espacial deverá ser organizada de forma alinhada com a estratégia de como produzir os cuidados à Saúde, dentro dos melhores padrões de qualidade e produtividade, em ambientes que tragam encantamento aos seus usuários, assim gerando satisfação e mantendo uma fidelização.

Voltemo-nos à equação financeira: aquisição do terreno, construção, mobiliário e equipamentos acrescidos de capital de giro, compõem os montantes dos investimentos.

A receita decorrente da prestação dos serviços deverá gerar, honrados todos os demais custeios, um montante que permita a amortização do valor financiado em um determinado período.

Procurando retratar as práticas correntes que envolvem os arquitetos no arranque do projeto arquitetônico de um edifício de saúde, temos como referência básica a Resolução RDC 50 de 21 de Fevereiro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para Planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de EAS – Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, no que toca aos projetos físicos define-se o Programa de Necessidades, descrito como “o conjunto de características e condições necessárias ao desenvolvimento das atividades dos usuários da edificação, que, adequadamente consideradas, definem e originam a proposição para o empreendimento a ser realizado. Deve conter a listagem de todos os ambientes necessários ao desenvolvimento dessas atividades.

Embora a descrição do que venha a ser um Programa de Necessidades, procure explicitar “atividades dos usuários por suas características e condições, que adequadamente consideradas, definem a proposição”, compete façamos algumas considerações:

• A complexidade da organização espacial de um edifício de saúde que chamaremos de “embalagem” é reflexo da própria diversidade dos processos de serviços médicos e hospitalares, que serão nele produzidos para atender aos múltiplos e diferentes tipos e quantidades de demandas, que nomearemos como “negócio”.

Em síntese, a ‘embalagem” deve ser projetada, executada e operada segundo as exigências do “negócio”.

Embora não sejam consideradas atribuições dos Arquitetos a estruturação do perfil do Negócio que se alojará no Edifício sua participação e assessoria serão de extrema e valia quando consultores, administradores e economistas procurarão dar respostas e contribuições a um conjunto de estudos iniciais que chamaremos Esboço do Negócio, que tem como principais objetivos descrever o “negócio” e antecipar sua viabilidade (ou não!!!), percorrendo a seguinte metodologia:

1. Quem! Quantos! Estabelecer uma faixa da população a qual pretendemos dar “cobertura”. Com seus perfis demográficos, de venda e epidemiológicos;

2. O que? Definir os serviços de cuidar que tencionamos prestar.

3. Como! Quanto! Construir o Programa Operacional, que descreve as atividades, e define as receitas e despesas operacionais;

4. Que áreas métricas a serem construídas! Elaborar o Programa Físico com base no item anterior;

5. Esboço da configuração virtual do edifício;

6. Pré-dimensionamento do terreno virtual;

7. Análise e definição da localização urbana.

Compilando os resultados dos itens anteriores, os participes na produção do Esboço do Negócio, disporão dos seguintes estimados de valores de investimentos:
• Terreno
• Projetos
• Construção
• Equipamento e mobiliário que somados resultam o Capital de Investimento total.

Anteriormente no terceiro item, a equação entrada/ saída/sobra ou resultado (ou falta!!!), permitiu obter a dimensão de um valor a ser pré-estabelecido para o parcelamento da amortização de um pleito de Empréstimo.

Ou seja, o “negócio” deverá gerar como resultado um pré-determinado valor para quitação do empréstimo, tornando assim o Empreendimento Viável.

No caso de resultar uma inviabilidade deverão ser realizadas, com a participação de todos envolvidos inclusive dos Arquitetos, Engenheiros e Construtores, algumas simulações:

• Identificar serviços médicos/hospitalares que, gerando melhores resultados, venham ser custeados pelos “agentes pagadores” sejam públicos ou privados.

• Ampliar o leque de ofertas de serviços que, embora de baixo retorno, sejam consumidos em quantidades significantes.

• Reduzir o elenco de serviços previstos para permitir redução de áreas previstas ser construídas.

• Configurar partido arquitetônico que permita expansões progressivas, tendo como embrião menores valores de construção e tecnologia médica de menor custo.

• Eleger para aquisição terrenos com valores mobiliários menos custosos e com financiamentos a prazos mais longos.

O conteúdo da exposição abordará a necessidade de estruturação de um estudo inicial, nomeado “Esboço do Negócio” , que fortalecerá o conteúdo do “ Programa Físico” , orientando de forma mais sólida a concepção arquitetônica e engajando a todos, sejam projetistas, gerenciadores do empreendimento e investidores na rota do sucesso, minimizando esforços e até eventuais desapontamentos.

ARQ. PROF. JOÃO CARLOS BROSS
Diretor da Bross Consultoria e Arquitetura S/C LTDA. Membro da Academia Brasileira de Administradores Hospitalares, IFHE International Hospital Federation, IFHE - International Federation of Health Engineering, ASHE - American Society of Health Engineering. Fundador e Primeiro Presidente da ABDEH - Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar.


Contribuições e Inovações da Legislação para Ambientes de Saúde

O Futuro da Lei
O Ministério da Saúde desempenha o papel de órgão formulador de políticas de saúde, definindo propósitos e diretrizes para a implementação no sistema de saúde, e por meio da ANVISA, órgão regulador do sistema de saúde no desempenho da ação fiscalizadora, estabelece normas e orientações na área de infra-estrutura física em saúde, quanto à adequação das condições do ambiente onde se processa a atividade e a existência de instalações e equipamentos, indispensáveis e condizentes com as suas finalidades, baseada no controle dos riscos associados.

O objetivo dessa normalização é obter uma racionalização no uso dos espaços e uniformidade de informações, para que sejam superadas as dificuldades que se apresentam diante de decisões praticamente cotidianas, mas tão específicas como são as reformas, ampliações, construções, localizações de equipamentos, manutenção e em geral a dotação, distribuição e utilização dos recursos físicos, para enfrentar a demanda dos serviços de saúde com critérios de eqüidade, eficácia e eficiência.

As vantagens obtidas na utilização de normas se traduzem diretamente na melhoria da qualidade dos serviços, redução dos custos, facilidade de interpretação e de comunicação no uso de processos e métodos aperfeiçoados.

Sendo assim, a Anvisa elaborou a Resolução RDC 50/2002-Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, um documento que se pretende, abrangente, operativo e eficiente para os profissionais de saúde, com objetivo de construir uma rede assistencial de qualidade, atendendo a todos os aspectos de um projeto arquitetônico adequado as suas funções.?

As informações contidas nesse trabalho proporcionam a descentralização das decisões de planejamento e projeto, permitem a projetação e a análise de qualquer tipologia de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde-EAS, sem estabelecer programas arquitetônicos padronizados, substituindo assim normas prescritivas por normas indicativas e flexíveis.

Espera-se com essa norma estar-se agindo no sentido de ter estabelecimentos mais racionais, funcionais e menos onerosos, e estar-se contribuindo decisivamente para que os órgãos de vigilância sanitária do País tenham um instrumento moderno e atual para os trabalhos de seu dia a dia, reconhecendo que o primeiro ato de vigilância sanitária para os estabelecimentos de saúde é a análise e a aprovação de seus projetos físicos.


REGINA MARIA GONÇALVES BARCELLOS
Arquiteta, professora – ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Créditos: Flex Editora

Sustentabilidade em Hospitais - Um problema cultural?

As discussões sobre a abordagem da sustentabilidade tem ocupado, por diversas vias, importante espaço em todas as atividades que demandam planejamento e considerações sobre a própria sobrevivência vinculada ao futuro.

Em um artigo publicado na revista Harvard Design Magazine nº 18, publicado em 2003, edição primavera/verão, pelo arquiteto norte-americano Wilfried Wang, professor da Universidade do Texas (USA) e de Berlin (Alemanha), ele apresenta uma importante discussão sobre a produção dos principais temas ambientais. Ao mesmo tempo, caracteriza os seus autores segundo suas perspectivas de manifestação, denominando-os: profetas ambientais.

Estes profetas são apresentados consolidados de quatro maneiras, formatados em distintos tipos:

• os histéricos, que advertem sobre o verdadeiro apocalipse,

• os pacificadores, que aderem à esperança,

• os irresponsáveis, que não vêem nenhuma ameaça direta,

• os fatalistas, que vêem o futuro como firmemente em declínio, com um fim breve e de forma inevitavelmente irreversível.

Segundo Wang, os três primeiros tipos, os histéricos, os pacificadores e os irresponsáveis, dominam o discurso contemporâneo. Seus pontos de vista fazem um contexto mais eficaz para que os meios públicos compartilham e necessitam em seus componentes políticos.

A visão dos fatalistas é a menos palatável para a sociedade em geral e para a mídia, em particular, na medida em que estão prosperando em uma mistura de medo e de esperança.

Segundo os conceitos estabelecidos pelo documento Os Limites do Crescimento, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) em 1972, adaptados posteriormente pela Comissão Brundtland, o desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades.

Quando se trata dos ambientes de saúde, as edificações hospitalares e sua contribuição para a sustentabilidade ambiental, a primeira abordagem é a da inviabilidade de adequação e compatibilidade físico-funcional. De imediato e considerando as edificações existentes, há muito por fazer neste processo de adequações e inovações conceituais e projetuais.

Alguns importantes referenciais devem ser considerados nessa avaliação para o entendimento do impacto passível de ser produzido e que, de certa forma, pode levar em conta os seguintes aspectos:

• Funcionamento intensivo do estabelecimento ao longo das 24 horas diárias;

• Alto número de pessoas circulantes;

• Distintos centros de trabalho com demandas energéticas diferenciadas;

• Magnitude das instalações;

• Necessidade de dispor de sistemas estratégicos de reserva de equipamentos para fornecimento de energia.

A ineficiência energética e o desperdício são imagens comumente vinculadas ao ambiente hospitalar. Seja por descontrole da gestão administrativa e operacional, seja pelas características funcionais que obrigatoriamente demandam sistemas de reserva disponíveis a qualquer momento, sobretudo nos locais onde se processa a assistência médico-hospitalar.

No entanto, estudiosos e profissionais com atuação no ambiente hospitalar concordam que é possível trabalhar-se as deficiências através de ações de baixo custo e medidas simples, porém com impacto ambiental expressivo. Algumas dessas ações poderão ser alteradas através de modificações de procedimentos inerentes à conduta do capital humano, os usuários em todas as escalas de atividades profissionais.

Outro componente facilitador desta percepção de sustentabilidade está na aquisição dos equipamentos e materiais para a operacionalidade da função hospitalar. Considerar como prioridade a aquisição daqueles que tenham a identificação de reciclabilidade, economicidade energética e possibilidade de reutilização.

Algumas metodologias de trabalho visando contribuir com ações sustentáveis têm sido desenvolvidas em diversos países do mundo. Lançado pelo Building Research Establishment (BRE), em 1990 na Inglaterra, o BREEAM é a primeira metodologia de classificação ambiental disponibilizada em nível mundial pelo Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB). É um dos métodos mais utilizados para avaliar o desempenho de edifícios e projetos em termos de uso de energia, impacto ambiental e indicadores de qualidade ambiental.

Posteriormente, em 1993 foi desenvolvido e lançado no Canadá, o BEPAC pelo National Resources Canada NRCan (CANMET Energy Technology Centre) e pelo Environmental Research Group da British Columbia University. O BEPAC dedica-se exclusivamente à avaliação de edifícios comerciais. Em 1996 nos Estados Unidos, foi desenvolvido pelo US Green Building Council (USGBC), instituição financiada pelo NIST (National Institute os Standards and Technology) o LEED (Leadership in Energy & Environmental Design). Oferece um esquema de classificação e certificação para edifícios comerciais. institucionais e residenciais de múltiplos pavimentos e tem iniciado as suas atividades com algumas certificações no Brasil.

O Green Building Council (GBC) é um consórcio internacional reunido com o objetivo de desenvolver um novo método para avaliar o desempenho ambiental de edifícios. Tal método apresenta flexibilidade para refletir diferentes prioridades, tecnologias, tradições construtivas ou valores culturais de diferentes países ou regiões no mesmo país.

Pouco antes, em 1993, havia sido criado na França um programa de avaliação voluntária denominado Haute Qualité Environnementale (HQE), que associa aspectos arquitetônicos da edificação a 14 alvos ambientais considerando critérios e indicadores.

Em diversas regiões outros modelos têm proliferado, enquanto no Brasil tem sido feitos ajustes e compatibilizações a alguns destes modelos existentes, sem a efetiva produção de um referencial local.

Sendo fatalista, irresponsável, pacificador ou histérico segundo os conceitos de Wang, não importa! Concretamente os edifícios hospitalares exigem diferenciais na sua concepção e, conseqüentemente, profissionais que os concebam com particular e especial formação de incorporar conceitos de sustentabilidade, relativizado à própria sobrevivência.

O que se incorpora, é que o futuro da atenção à saúde não mais admitirá hospitais e demais estabelecimentos que não contenham esta referência na concepção projetual, construtiva e de gestão.

O hospital sustentável mais que um conceito deverá ser uma formalidade contida nas leis, normas, regulamentos e nos princípios da formação dos profissionais que tenham responsabilidades periféricas. Os materiais de construção, os equipamentos prediais e os métodos de trabalho deverão instruir-se nas bases do desenvolvimento sustentável para a essência da sua sobrevivência.

Este não é um assunto esgotável, muito pelo contrário ele é dinâmico. Dinâmico e complexo assim como os componentes da assistência à saúde e dos edifícios concebidos para tal, e que devem contribuir tanto para os modelos assistenciais como para as ações projetuais e construtivas.

Fábio Bitencourt
Arquiteto D Sc
Créditos: Flex Editora

Comunicação Visual

Orientação de fluxos e identificação de ambientes em um hospital
Os sistemas de sinalização são desenvolvidos para informar, direcionar e orientar as pessoas para que consigam se locomover e encontrar o que procuram. Em um ambiente hospitalar, a comunicação visual permite o poder de decisão e acesso a informação, em um espaço onde a situação de desconforto emocional está, quase sempre, presente.

O ambiente hospitalar ajuda a atenuar o estresse gerado pelo contexto da debilidade física e psicológica do usuário. O imaginário coletivo identifica o ambiente hospitalar como algo desagradável, um local de medo, insegurança e de dor. Segundo a designer Valéria Grevy, realizar interferências arquitetônicas e visuais nesse tipo de ambiente é reformular a idéia do que a população pensa sobre um ambiente médico. Apresentar um ambiente visualmente organizado e limpo, mostrando uma concepção de saúde e não de doença é um avanço para a humanização hospitalar.

O hospital carrega em seu ambiente a responsabilidade de curar pessoas enfermas ou que passaram por algum trauma, doentes e com debilidades emocionais. Para o Professor da UFRJ, Celso P.Guimarães, é por essa razão que o uso da comunicação visual deve ser bastante restrito.

Os mais liberais talvez pensem que apelar para os códigos visuais possa aliviar este estado psicológico. “Mas ainda não tive a oportunidade de conhecer alguém que tivesse alguma troca amigável com hospitais, eu pelo menos quero ver hospital só em projetos”, diz Guimarães.

As mensagens em ambientes hospitalares devem dar conforto ao usuário e ajudá-lo a se sentir psicologicamente mais seguro. A relação da comunicação visual com o ambiente hospitalar deve ter caráter social, devido à própria circunstância do ambiente.

Segunda a designer Carla Vendramini, uma sinalização mal feita causa confusão, desorientação, irritação e perda de tempo, que no ambiente hospitalar é um item precioso.

O sistema deve identificar os espaços e serviços, direcionar, transmitir avisos comportamentais e de segurança, assim como mensagens administrativas e funcionais.

Uma má sinalização pode desorientar as pessoas em seu percurso e com isso, acarretar em atrasos de consultas ou até o seu cancelamento. Como em qualquer outro ambiente, a má sinalização traz desorganização do fluxo e o aumento do estresse dos usuários.

“Por exemplo, um paciente pode perder um exame marcado, que muitas vezes é agendado com precisão de horário em função do cronograma de utilização do equipamento, por imprecisão de informações na sinalização que o levaria ao setor”.

Os ambientes hospitalares e sua comunicação visual têm que trabalhar em conjunto, sendo a parceria um item importante nessa relação, incluindo todas as pessoas que freqüentam este espaço, e a instituição.

Para Guimarães é importante que os construtores e técnicos relacionados à implantação do projeto hospitalar, se dêem conta que a comunicação visual é ornamento e não necessidade. A “Comunicação Design” (conceito cunhado pelo professor) começa quando o projeto do hospital se inicia, e não no final da obra, quando se fura paredes, coloca-se iluminação, humaniza-se o ambiente, etc. É preciso pensar na Comunicação Design como parte do projeto, junto aos investimentos da obra, caso contrário passa a se ver como um custo extra. Dependendo do projeto, os gastos são cortados se não estiverem na planilha de custos.


Hospitais e sua sinalização

Para cada hospital é necessário um sistema de sinalização que se adeqüei com suas necessidades e particularidades. O Hospital de Rio das Ostras, no interior do Estado do Rio de Janeiro, foi projetado antes de sua inauguração, o que otimiza significativamente sua etapa de implantação. Ele tem características pessoais que se adaptaram à cultura do município, interando reproduções iconográficas dos artistas daquela região aos suportes do próprio sistema de sinalização.

No Hospital Vera Cruz, clínica de tratamento psiquiátrico, em São Paulo, Jaçanã, o projeto das peças de sinalização teve que seguir regras de segurança específicas. As peças foram desenvolvidas totalmente em adesivos recortados e aplicados sobre as superfícies: portas, paredes, etc. Elas não poderiam ter arestas, superfícies rígidas, componentes em acrílico ou vidro, nem nada que proporcionasse a oportunidade do paciente em surto, usá-las para ferirse ou ferir outras pessoas.

Independente do ambiente hospitalar é importante destacar que existem sinalizações obrigatórias exigidas pela legislação como proteção contra-incêndio e segurança pessoal e as específicas da edificação hospitalar que indicam cuidado com o uso de equipamentos, cuidados com substâncias, descartes especiais, proibição de presença, etc.

Maiores exigências

Segundo a designer Grevy, as salas de Raios X, são um dos ambientes que mais necessitam sinalização, devido aos diferentes números de avisos de segurança. Nas entradas, onde se tem que informar todos os serviços prestados e oferecidos no local também é importante uma sinalização compreensível.

Nos ambientes onde são prestados serviços de urgência e emergência, e locais de grande afluxo de pessoas,como laboratórios (colheita de exames), onde existe a exigência da agilidade da comunicação, também pode ser considerado como local que merece tratamento especial.

Guimarães não acredita que qualquer ambiente possa necessitar maior ou menor quantidade de comunicação visual. “CV não é decoração, é a informação na forma de cultura decodificada em imagem, signo, e é realizada a partir de um projeto potencializado a partir de uma necessidade”. No caso dos ambientes hospitalares, se propõe gerar qualidade de vida e interação dos usuários do espaço.

As mudanças iniciais são de responsabilidade da equipe de arquitetura. Ela analisa a disposição dos serviços no ambiente em geral, separa áreas e atividades por segurança e otimização dos serviços. Após esta definição a sinalização intervém para ratificar a estrutura planejada para o melhor funcionamento de cada serviço e sua integração com todo o hospital. Assim, a primeira mudança é buscar ou reforçar o estudo da otimização dos serviços. Com isso feito analisa-se o fluxo dos usuários neste ambiente, e muitas vezes constrói-se uma nova cultura, uma nova concepção dos comportamentos nesse ambiente, focando a saúde e a humanização dos espaços.

De acordo com Vendramini, quando é uma obra nova, um edifício que está sendo finalizado, o projeto de sinalização ganha mais oportunidade de integrar-se à arquitetura e à ambientação de interiores.”O projeto de sinalização deve ser discutido com os projetistas do empreendimento para aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas, por exemplo, pelo sistema de iluminação, pelos acabamentos especificados, etc”, explica. Já, quando o projeto tem que ser implantado em uma edificação já estabelecida, o sistema tem que procurar corrigir erros e vícios existentes e reforçar os acertos. É um processo de reeducação que deve partir do anseio da diretoria e contar com a participação efetiva dos usuários, principalmente os funcionários.


Características da sinalização

A comunicação visual é destinada a todos os usuários: pacientes, familiares, visitantes, corpo médico, enfermagem e funcionários. O objetivo é otimizar o fluxo dentro do ambiente.

A sinalização tem que ser adequada, e é necessário não perder as características individuas de cada hospital, como seu publico alvo e local onde se situa. Em alguns casos, se peculiares fatores não forem percebidos, a sinalização pode ser inócua, como hábitos culturais do povo ou especificamente dos funcionários do hospital.
Em relação aos critérios de saúde, tecnicamente deve inserir-se nos parâmetros para evitar a contaminação, ou seja, utilizar materiais e um design que permita fácil limpeza para evitar acúmulo de elementos patogênicos.

A decodificação eficaz das informações deve ser clara, usando parâmetros de ergonomia (figura/ fundo, uso adequado da tipografia, dimensões, alturas, etc) e localizadas em pontos estratégicos, facilitando a compreensão.

Em um hospital existem diversos ambientes, cada qual ligado ao seu tipo de serviço. “Algumas situações somente identificamos o serviço, em outras, é necessário informar comportamentos de segurança seja para os usuários, como para os funcionários” , explica Grevy.

Outro aspecto a ser observado é a questão da segurança, tanto usuários de um ambulatório, como o de qualquer outro estabelecimento de assistência à saúde, precisam se deslocar por caminhos absolutamente garantidos: no aspecto direcional e sob a necessidade de manter-se livre de obstruções físicas, livre da possibilidade de acidentes.

“Uma sinalização mal feita é a que não leva em consideração a dimensão humana do usuário, tanto física quanto emocional”, explica Vendramini.


Diferenças entre ambientes e sua respectiva comunicação visual

Podemos verificar que existe uma proposta diferencial entre os estabelecimentos de saúde privados e os públicos. Os privados já surgiram com a cultura da proposta de humanização hospitalar, possui clientes de alto nível social e formam o olhar dos seus usuários para a existência e a importância da comunicação visual. Nos estabelecimentos públicos o enfoque da humanização dos espaços está sendo paulatinamente aplicado.

A diferença entre a comunicação de hospitais para os demais espaços se faz, principalmente, na observação de elaborar um projeto destinado a usuários com um alto nível psicológico de estresse, como também no seu projeto formal que deve pontuar os parâmetros da infecção hospitalar.

Cada projeto tem suas características individuais. A especialidade do ambiente hospitalar é um fator interessante para ser aplicado e traduzido na simbologia dos elementos gráficos a ser utilizada.

Para um hospital infantil, por exemplo, pode se usar uma linguagem gráfica mais leve. Mas Vendramini lembra que “as particularidades do design nunca devem interferir ou sobrepor à função primordial da sinalização que é de orientar o usuário”.

Perfil

VALÉRIA GREVY, Em 1978 graduada pela Escola Superior de Desenho Industrial -UERJ, com especialização em propaganda e marketing pela ESPM-RJ. Trabalhou na Casa da Moeda do Brasil, de 1974 a 1982, como membro de equipe de designers, desenvolvendo o projeto de sinalização do parque industrial da empresa, sua identidade visual e desenvolvimento de embalagens. É sóciadiretora da Grevy Conti Designers desde fevereiro de 1987, desenvolvendo produtos na área de Programação Visual e Desenho de Produto.


Perfil

PROF. CELSO P. GUIMARÃES, doutor pela PEC/COPPE/ UFRJ em Computação de Alto Desempenho, em 2006. Em 1984 se tornou Mestre em Kommunikationsdesign, pela Universidade Wuppertal / Alemanha. Em 1977 graduo-se e especializou-se pela Universidade Essen (Folkwangschule) em Visuelle Kommunikation / System Design. Desde de 1977 é Professor Adjunto da Escola de Belas Artes da UFRJ, junto a habilitação Programação Visual do Curso de Desenho Industrial, Área de Projetos de Design Coorporativo e Sistemas de Informação e Orientação, Fotografia e História do Design. Em 1980 foi Diretor e fundador do escritório Graphic Design–Rio Arquitetura e Urbanismo.
CARLA VENDRAMINI, designer graduada pela FAAP-SP em Comunicação Visual. É diretora da Formo Arquitetura Design, onde projeta edificações residenciais, comerciais, industriais, hospitalares, entre outras. Desenvolve projetos de ambientação de interiores, com especificações e detalhamentos especiais de acabamento e mobiliário. Na área de programação visual, seu trabalho direciona-se à elaboração de Sistemas de Identidade Visual e suas aplicações para empresas e franqueados.
 
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